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Quais obras ver no Guggenheim de Nova York

O Guggenheim de Nova York nasceu ao redor de Wassily Kandinsky: Solomon Guggenheim passou a colecionar o artista em 1929, e dezenas de suas telas — entre elas Composition 8 — seguem no acervo, ao lado de Chagall, Van Gogh e Picasso na Coleção Thannhauser, tudo dentro da espiral que Frank Lloyd Wright projetou como uma obra em si.

Composition 8 (1923), de Wassily Kandinsky — Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York
Composition 8, de Wassily Kandinsky (1923, óleo sobre tela, 140 × 201 cm). A compra desta tela por Solomon Guggenheim, em 1929, deu início ao acervo do museu. Wassily Kandinsky, Composition 8 (1923). Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York. Domínio público. Fonte: Wikimedia Commons.

Kandinsky e o nascimento do acervo

O acervo do Guggenheim de Nova York nasceu de uma decisão pessoal de Solomon Guggenheim: a partir de 1929, orientado pela curadora e artista Hilla Rebay, ele passou a comprar telas de Wassily Kandinsky, então professor na Bauhaus. Essa coleção cresceu a ponto de se tornar a espinha dorsal do museu — hoje reúne dezenas de obras do artista, entre elas Composition 8 (1923), óleo sobre tela de 140 × 201 cm que Kandinsky considerava o ponto alto de sua produção do pós-guerra, com círculos, triângulos e linhas organizados numa superfície de formas geométricas em tensão.

A obsessão por Kandinsky tinha um objetivo declarado: provar que a pintura sem referência ao mundo visível — a "pintura não objetiva" — merecia um museu só para ela. Foi assim que, em 1939, abriu o Museum of Non-Objective Painting, na 24 East 54th Street, em Manhattan — a primeira sede do que hoje é o Guggenheim, ainda antes do prédio de Frank Lloyd Wright. Outras telas do artista no acervo incluem Blue Mountain e Several Circles, que ao lado de Composition 8 formam o núcleo pelo qual o museu é conhecido em história da arte abstrata.

A Coleção Thannhauser: de Van Gogh a Picasso

Enquanto a base do museu era a abstração de Kandinsky, o marchand Justin Thannhauser construía, em paralelo, uma coleção de outra natureza: pintura francesa de fins do século 19 e início do 20. A partir de 1963, ele começou a doar essas obras ao Guggenheim — doação grande o suficiente para justificar a criação da Ala Thannhauser em 1965, dedicada permanentemente a esse acervo. Entre as peças estão dois Picassos de fase inicial, Woman Ironing (1904) e The Blind Man's Meal (1903), além de obras de Kandinsky e Matisse que também passaram pelas mãos do marchand.

O outro nome forte da Coleção Thannhauser é Van Gogh: Mountains at Saint-Rémy, pintada em julho de 1889, retrata as formações rochosas dos Alpilles vistas do hospital onde o artista estava internado, com as pinceladas espessas e agitadas típicas de seus últimos anos. A tela chegou ao museu como doação de Justin K. Thannhauser em 1978. Juntas, essas obras dão ao Guggenheim uma segunda identidade — a de um museu que também guarda o fim do Impressionismo e o início do Cubismo, ao lado da abstração que o tornou famoso.

Chagall e a coleção fundadora

Paris Through the Window, de Marc Chagall, pintada em 1913, faz parte da Coleção Fundadora Solomon R. Guggenheim — o núcleo original reunido antes mesmo da abertura do prédio da Quinta Avenida. É uma tela de dupla leitura: um homem de dois rostos e um gato com feições humanas se encaram em primeiro plano, enquanto ao fundo a Torre Eiffel se dissolve em planos semitransparentes de cor, numa dívida clara com o Cubismo Órfico de Robert Delaunay, colega de Chagall em Paris.

A obra resume bem o que diferencia o acervo do Guggenheim de um museu enciclopédico como o Met: cada peça da coleção fundadora foi escolhida para sustentar um argumento sobre o que a pintura moderna estava se tornando, não para preencher lacunas cronológicas. Kandinsky defende a tese da abstração pura; Chagall mostra o mesmo momento histórico visto por um pintor que nunca abandonou de vez a figura.

O prédio como a obra mais ambiciosa do acervo

Frank Lloyd Wright foi contratado em 1943, pela própria Hilla Rebay, para projetar uma sede definitiva ao museu. A obra levou anos para sair do papel — Wright redesenhou o projeto várias vezes — e só foi inaugurada em outubro de 1959, com dedicação formal em 21 de outubro. Nem Solomon Guggenheim, morto em 1949, nem Wright, morto seis meses antes da abertura, chegaram a ver o prédio pronto.

O resultado é uma rampa helicoidal contínua que sobe em espiral ao redor de um átrio central coberto por uma claraboia, com paredes estruturais dispostas a cada 30 graus ao longo do percurso — um desenho tão radical que, em 2019, o edifício passou a integrar a Lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, dentro do conjunto "A Arquitetura do Século XX de Frank Lloyd Wright". Wright não projetou um depósito de quadros: projetou uma experiência de caminhada contínua, em que a arquitetura decide o ritmo com que cada obra é vista.

O olhar do ateliê

O olhar do ateliê

Como arquiteta, nunca resolvi o problema que Wright enfrentou — pendurar uma tela numa parede que não é vertical —, mas ele me interessa mais do que a maioria das soluções decorativas que vejo por aí. O projeto do Guggenheim previa que os quadros seguissem a inclinação da parede curva, presos por hastes de metal, e até hoje os curadores usam suportes específicos para que as esculturas pareçam eretas numa base que, na prática, está inclinada. É o tipo de decisão que só faz sentido quando se entende que a arquitetura do espaço não é pano de fundo — ela decide como a obra vai ser lida.

No ateliê, a escala é outra, mas o raciocínio é o mesmo: peças com pasta texturizada e folha de ouro, como as da série Black & Gold, pesam de um jeito diferente de uma tela lisa, e o guia de instalação que acompanha cada obra do Perfeito Studio existe justamente para isso — para que quem compra saiba como a peça se sustenta na parede da própria casa, não só na foto do catálogo.

Perguntas frequentes

Quais obras não posso perder no Guggenheim de Nova York?

Composition 8 (1923), de Kandinsky, é o ponto de partida natural — foi a compra que deu início ao acervo de abstração do museu. Vale completar com Paris Through the Window (1913), de Chagall, e com a Coleção Thannhauser, que reúne Woman Ironing e The Blind Man's Meal, de Picasso, além de Mountains at Saint-Rémy, de Van Gogh. Juntas, essas obras cobrem tanto a origem abstrata do museu quanto o legado figurativo do fim do século 19 e início do 20.

O Guggenheim de Nova York tem obras de Kandinsky?

Tem, e em profundidade — Kandinsky é o artista mais associado ao acervo. Solomon Guggenheim começou a comprar suas telas em 1929, orientado pela curadora Hilla Rebay, e dezenas de obras do artista permanecem no museu, incluindo Composition 8, Blue Mountain e Several Circles. Essa coleção foi o motivo pelo qual a primeira sede do museu, em 1939, se chamou Museum of Non-Objective Painting.

O prédio do Guggenheim é uma obra de arte em si?

É tratado como tal desde que abriu. Frank Lloyd Wright projetou uma rampa helicoidal contínua ao redor de um átrio central coberto por uma claraboia, com paredes estruturais dispostas a cada 30 graus. O desenho é considerado tão autoral que, em 2019, o edifício entrou na Lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, dentro do conjunto A Arquitetura do Século XX de Frank Lloyd Wright. A própria curva da parede exige soluções específicas para pendurar cada obra na posição certa.

Quanto tempo reservar para visitar o Guggenheim de Nova York?

Como referência geral, quem quer percorrer a rampa completa e parar diante das obras da Coleção Thannhauser e do núcleo Kandinsky costuma reservar entre duas e três horas. É menos tempo do que o Met ou o MoMA normalmente exigem, porque o acervo é mais compacto e o próprio desenho do prédio já conduz o visitante por um único percurso contínuo, sem a necessidade de escolher entre alas distantes.

O Guggenheim de Nova York é diferente do de Bilbao?

Sim, são instituições distintas dentro da mesma fundação. O de Nova York, de 1959, é o museu original, projetado por Frank Lloyd Wright, com acervo formado a partir de Kandinsky e da Coleção Thannhauser. O de Bilbao, inaugurado em 1997 e projetado por Frank Gehry, é revestido de placas de titânio e mantém um acervo próprio, além de obras emprestadas pela rede Guggenheim, que inclui também Veneza e Abu Dhabi.

Fontes

  1. The Guggenheim Museums and Foundation — 2026-08-23
  2. Wikipedia — 2026-08-23
  3. Wikimedia Commons — 2026-08-23
  4. Wikipedia — 2026-08-23
  5. Wikipedia — 2026-08-23
  6. The Art Newspaper — 2026-08-23
  7. Wikipedia — 2026-08-23
  8. Wikipedia — 2026-08-23
  9. Inexhibit — 2026-08-23
  10. Wikipedia — 2026-08-23

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